SOS VAREJO: SAIBA QUAIS MEDIDAS PODEM TE AJUDAR A NÃO QUEBRAR E VENCER O CORONAVÍRUS

Se as suas vendas de varejo não atingiram nem 10% do planejado ou mesmo estão ainda longe do equilíbrio, que é o ponto mínimo para pagar os seus custos, não hesite em congelar as suas operações, fechar portas de forma provisória, para não ter que encerrar atividades, de fato, mais para frente. Além da tecnologia, gerenciar a crise é o grande desafio do varejo. É quase certo que o mundo vivenciará um período de recesso profundo nos próximos 3 meses e o varejo como termômetro das atividades nas cadeias produtivas precisa tomar rápidas decisões, pois está na linha de frente e possui baixo tempo de resposta. Com base no comportamento da demanda pelo varejo, que vemos a intensidade, velocidade e longevidade do problema e avaliamos quais ações a serem tomadas.

Muitos empresários estão em desespero quando olham para as ruas vazias e o faturamento indo água abaixo. Muitos ramos não possuem opção de delivery e, mesmo que tivessem, seus produtos e serviços são de alta elasticidade, ou seja, aqueles que as pessoas podem ficar sem eles por um tempo, ou mesmo, substituí-los sem grandes dores. Esses ramos são os mais sensíveis a qualquer crise e a boa gestão financeira é crucial. A falta de reserva e capital de giro é uma observação preocupante, que deixa um caro aprendizado ao empresário, quando o faz perceber que a falta desses recursos, que servem como guarda-chuvas, é fatal para a continuidade do negócio. Dessa forma, todos buscam uma saída, um plano de contingência; entretanto, a falta de uma Gestão profissional e estratégica abre uma grande lacuna entre a teoria e a prática do varejo. Essa talvez seja a maior causadora de falências e da crise financeira do país e do mundo em 2020.

Uma boa parte das empresas de varejo deram férias aos funcionários, outras já fizeram demissões, e ainda há uma parte operando, parcialmente, por ser essencial e diversos outros motivos. Agora, voltando a grande questão: O que significa congelar as operações? E quais os cuidados para resolvermos o presente, sem condenarmos o futuro?

A proposta de congelar as operações parece um tanto quanto radical, sob a perspectiva de geração de caixa, mas no contexto de total falta de demanda, é muito sensata, já que a empresa aberta incorre em custos e despesas inevitáveis ao seu funcionamento, tanto de expediente, quanto de pessoal, utilidades etc. Os riscos jurídicos e de imagem também podem ser grandes no momento que estamos vivendo. Congelar operações significa cessar esses custos, suspendendo o ciclo de perdas e focando esforços em estratégias financeiras.

Registro, a seguir, como contribuição e em caráter sugestivo, dez medidas estratégicas que, em conjunto, te ajudarão a preservar o seu caixa e garantir a continuidade das atividades do negócio, supostamente, em um prazo de 3 meses. São elas:

  1. Negociar parcelamento ou adiamento do pagamento à fornecedores. Uma opção seria pagar 50%, pontualmente, e 50% dividido em parcelas, com carência em comum acordo. Assim, o seu fornecedor não deixa de receber, sustentando o futuro;

  2. Negociar carência dos aluguéis. O pagamento desses 3 meses poderia ser parcelado até dezembro, por exemplo. Uma alternativa é negociar um valor mínimo para agora, exercendo a reciprocidade com o dono do imóvel e honrando o contrato. O objetivo é ninguém “quebrar”;

  3. Não demitir funcionários para não incorrer em custos legais de demissão, reduzindo o caixa ou as reservas;

  4. Não dar férias oficiais, pois essas possuem custos adicionais para a empresa. A proposta é mantê-los em casa, criando banco de horas, que poderá ser bem usado na sazonalidade

  5. Negociar parcelamento de parte do salário, com muita cautela para não prejudicar a vida e a família dos colaboradores. Essa negociação vale quando o impacto da folha é grande e não há capital de giro os compromissos do período. Essa medida é extrema e baseada naquela máxima “antes uma redução, do que o desemprego”

  6. Negociar parcelamento das contas de telefone, luz, água, gás e utilidades com as operadoras, de modo que essas contas possam ser parceladas e suavizadas ao longo dos meses seguintes;

  7. Renegociar financiamentos e dívidas com bancos e credores. Uma opção seria pagar apenas os juros e suspender a amortização, enquanto o fluxo de caixa não regularizar;

  8. Suspender contratos de serviços não essenciais ao negócio por um período;

  9. Iniciar campanha (on line) de liquidação dos estoques com entrega (se possível) para não ter perdas e aumentar a liquidez. O lucro passa a não ser importante. O empresário precisa fazer gestão financeira com estratégias voltada para o equilíbrio e a sustentabilidade. Neste caso, manteríamos uma minioperação logística e comercial, visando eliminar estoques em excesso.

  10. Promover e se engajar em campanhas de solidariedade com o varejo na sua microrregião, já que esse sentimento será a pauta de todas as negociações anteriores e fará com que seus clientes sintam as mesmas dores, desenvolvendo a tão desejada EMPATIA pelo seu negócio.

A solidariedade em relação as questões que envolvem rendas, despesas e dívidas está sendo e será uma virtude importante na pós-crise, já que em uma cadeia produtiva de valor os participantes, sejam fornecedores, clientes, parceiros ou colaboradores, embora tenham interesses conflitantes e concorrentes, dependem um do outro, de forma recíproca. Convido vocês para orarmos e trabalharmos em prol de uma sociedade próspera e solidária, onde o varejo, global e local, exerce o seu importante papel de entregar bens e serviços necessários ao Bem Estar Social, conectando-se, para isso, com a menor e mais nobre célula de uma sociedade: a família.

Lauro Barillari

Mestre em Economia com especializações em Logística, Finanças, Matemática e Gestão Industrial, pela COPPE/UFRJ. Consultor em Logística. Atua como professor de Planejamento na Fundação Oswaldo Cruz (desde 2004) e de pós-graduação no Centro Universitário Abeu, nos departamentos de Administração e Logística, coordenando grupo de pesquisa sobre estoques na Baixada Fluminense.

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