E agora? Será que as reformas saem do papel com a sucessão?

Thursday, April 21, 2016

Leia a opinião e análise do Professor Lauro Barillari sobre o cenário de crise institucional e política que o Brasil está vivenciando na matéria abaixo.

 

 

A atual crise de representatividade que o Brasil está vivenciando culminou , neste último domingo, dia 17 de abril, na aprovação, pela câmara dos deputados, da continuidade do processo de impedimento da chefe do poder executivo, a presidente da república Dilma Roussef.

Embora o predomínio do sentimento de ‘não à corrupção’, observou-se, ao longo deste período, dois grupos diferentes de pensamento e formação emanando do povo, que, de forma relativa, dividiram opiniões Brasil afora. O debate político destes grupos ficou polarizado entre o legal e o ilegal, como se este ponto pudesse resgatar a governabilidade do país, perdida, entre diversas causas, pela falta de articulação política entre pessoas e partidos, dificultando a  aprovação de medidas relevantes para um cenário econômico recessivo, e pela perceptível falência do modelo político brasileiro. Esqueceu-se que a principal causa foi o desrespeito à ética, que consiste no conjunto de valores que deveriam pautar as atitudes da sociedade, desde uma simples decisão administrativa, à uma nomeação, ou ainda, um decreto. A sociedade precisa, de fato, fazer uma inflexão cultural sobre este aspecto, sob pena de falecimento da democracia!

O ‘grito’ desmedido, desvirtuado e potencializado pelas redes sociais provocou como principal efeito negativo para a nossa sociedade a quebra da unidade popular, assim como ocorre no esporte favorito do povo, o futebol, só que de forma virtuosa. Considero o fim da poesia do ‘um por todos e todos por um’ um drama para nós brasileiros; entretanto, os aprendizados do processo político que vivenciamos, nos últimas dias, foram o “acordar” do brasileiro para a política e a possibilidade de um novo “olhar” para a corrupção, com maior fortalecimento das instituições de controle, incluindo a do controle popular.

Agora nos resta esperar os próximos acontecimentos políticos para sabermos se a sucessão ocorrerá, e como ficará a governabilidade do sucessor, o atual vice-presidente Michel Temer. Especialistas em Ciência Política afirmam que o quórum qualificado, o mesmo que aprovou o andamento do processo de impedimento, será uma força a favor das medidas emergenciais que devem ser tomadas pelo ‘novo’ governo para retomar as rédeas do país. Talvez seja errado chamarmos de ‘novo’ governo, tendo em vista que, na prática, constitui uma facção do anterior  dando seguimento ao atual mandato, com o diferencial de, estrategicamente, querer e dever mostrar serviço ao país neste momento delicado de crise. Apesar do sentimento de ‘traição’ alimentado por alguns grupos, a transição tende ser mais tranquila, pois quem assumirá a chefia do estado já estava no poder, como vice presidência da república, e até então pertencia a chapa eleita, no segundo turno, pelo voto popular em outubro de 2014.

E as reformas política, previdenciária, fiscal tão desejadas e necessárias para a futura retomada do crescimento e desenvolvimento social do País? Após os resultados do último domingo, a expectativa é que o sucessor entre mais fortalecido politicamente do que seu próprio grau de popularidade poderia inferir. Com isso, ele terá, supostamente, a chance de aproveitar o momento de grande comoção nacional e apoio majoritário do congresso para aprovar reformas e medidas inéditas, vítimas da inércia do congresso e do governo, para as quais faltaram coragem e vontade política nos últimos tempos. Se  conseguir isso, sua imagem se fortalece, inclusive para as próximas eleições, e a sociedade sai ganhando com a crise. Caso contrário, nossa economia tende a entrar em colapso, com a insolvência de importantes questões, desde a fiscal até a da produtividade. Estas questões carregam problemas conjunturais e estruturais entendidos por economistas como causas raízes de alguns males como a inflação, o desemprego e falta de produção no país, que resultam na perda de bem estar social do povo brasileiro.

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Lauro Barillari

Mestre em Economia com especializações em Logística, Finanças, Matemática e Gestão Industrial, pela COPPE/UFRJ. Consultor em Logística. Atua como professor de Planejamento na Fundação Oswaldo Cruz (desde 2004) e de pós-graduação no Centro Universitário Abeu, nos departamentos de Administração e Logística, coordenando grupo de pesquisa sobre estoques na Baixada Fluminense.

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