Conheça os impactos da Quarta Revolução Industrial sobre o atual modelo de trabalho

Thursday, February 18, 2016

Tendências e Desafios para a Economia e o Empreendedor

 

O tema abordado, em Davos (2016), refere-se a quarta revolução industrial, como está sendo chamada por especialistas, trata de mudanças rápidas e intensas que impactam o nosso dia a dia, que nos fazem rever nossa carreira o tempo todo.

 

As mudanças que estou falando são naturais do processo de desenvolvimento do capitalismo e da tecnologia. Estas mudanças ocorrem em função da convergência entre homem e máquina, a redução das diferenças entre eles.

 

É o boom da inteligência artificial, que vem da evolução da nanotecnologia (miniaturização) e da integração de diversas tecnologias, tanto falada nos filmes de ficção científica, que assistimos no passado recente. E, agora, nos aparece como um grande desafio a ser enfrentado. Uma questão de sobrevivência pois “enquanto o planeta cresce, os postos de trabalho reduzem com a aceleração do processo de automação industrial. Temos uma contradição a ser estudada e resolvida.

 

Este fenômeno tem gerado um grande debate no mundo e é considerado como a quarta revolução industrial. Muita gente a desconhece, inclusive a anterior, terceira revolução industrial, pois a economia é tão dinâmica e rápida que a ciência ainda não formalizou isso nos livros de história.

 

Podemos lembrar que a primeira revolução foi da máquina a vapor, que deu inicio a indústria. Representou a transição do artesanal para a manufatura. A segunda foi o advento da eletricidade, que é dispensável abordar seus benefícios. Significou uma grande ruptura no modelo vigente, onde eu destacaria a economia em escala, o início da produção em grandes quantidades. A terceira foi a informática e a  internet, revolucionando a forma de fazer negócios, onde destacam-se a eletrônica, a robótica e o e-commerce. A quarta, que estamos vivendo, seria o “ápice” do desenvolvimento tecnológico quando o conceito de homem e máquina passa a ser confundido, sob a ótica da produção.

 

Entre os impactos esperados, temos a redução drástica do emprego no mundo e o processo de desintermediação dos negócios com o avanço tecnológico. Este processo é o fim dos intermediários, a redução dos atores de uma rede. Podemos dizer que a compra direta do fabricante, a loja de fábrica, é um exemplo do nosso dia a dia.

 

Os impactos ‘sociais’ dessa revolução podem ser caóticos e foram amplamente discutidos agora, em janeiro deste ano, no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça . Foi um dos temas centrais do fórum, que reuniu mais de 40 chefes de estado e governos de todas as regiões do mundo. Davos é um grande laboratório de idéias para debater grandes temas relevantes para o mundo.

 

Uma das principais consequências relatadas é a destruição de 5 milhões de postos de trabalho nas principais economias do planeta, nos próximos anos.E a grande questão não pode ser resumida por nós em “enfrentar ou não as mudanças?”, mas o fato de termos que conviver com elas e traçar estratégias para nossa vida pessoal e profissional.

 

Além de novas modalidades de trabalho, do empreendedorismo, uma das tendências que vejo para o mercado é que todos os profissionais do futuro saibam programação e apliquem no seu dia a dia. Programar, em alguma linguagem, será algo básico. Hoje, temos que o domínio do pacote de planilhas eletrônicas e editores de texto é o básico. Não representa mais um diferencial no currículo, mas, sim, requisito mínimo. Será substituído por domínio de uma linguagem, entre muitas existentes e que estão cada vez mais intuitivas e amigáveis para o aprendizado.

 

A nova lógica é que as idéias sejam transformadas na hora, e que, em qualquer lugar, a inteligência humana possa programar máquinas e equipamentos, desenvolver aplicativos. Qualquer pessoa deve ser capaz de desenvolver um aplicativo para celular, por exemplo, como regra de sobrevivência a crescente automação dos processos de decisão. Nesta nova ordem,  a intervenção humana passa a ser altamente qualificada, como já percebemos nas decisões sobre investimentos em bolsas de valores, nos protocolos hospitalares e processos de atendimento bancário. Esta revolução representa uma descontinuidade do modelo produtivo até então vigente.

 

As software house (fábricas de softwares) mudarão suas concepções e passarão a gerenciar idéias, e não mais ser contratadas para desenvolvê-las, pois todos serão capazes de desenvolver idéias nas máquinas, ou seja, transformando-as em aplicativos.

 

A profundidade destas mudanças é tão grande que os especialistas já caracterizaram como a “quarta revolução industrial”.

 

O lado bom, que sempre existe, é a integração de diversas tecnologias a favor da ciência, da medicina, por exemplo. A convergência da bio, nano, info tecnologia nos abre um mundo de possibilidades, ao mesmo tempo riscos.

 

Surge no mundo uma nova divisão do trabalho. Alguns países serão mais capazes que outros de desenvolver tecnologias de ponta, gerar mais renda e melhores empregos, outros terão seus mercados deteriorados com baixa qualidade de emprego. Com base na teoria econômica, a expectativa é que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, ampliando as assimetrias pelo mundo. Os mais fortes se adaptam mais rápido que os fracos, em tudo na vida.

 

O Brasil, neste momento de crise, precisa estar inserido neste processo para colher o fruto bom. Fazer reformas, investir em ciência e tecnologia, P&D. A principal crítica é que, no momento, estamos na contra mão, com o futuro condenado.

 

O principal para planejar a carreira é ter em mente que “temos que dominar as tecnologias e não sermos dominados por elas.” Nós somos arquitetos dessa revolução e da nossa vida. Precisamos rever: como nos educarmos para isso? Quais capacidades e habilidades serão necessárias?

 

Alguns dados parecem bem instigantes, como o  que 90% dos jovens trabalharão no futuro com tecnologias que ainda não conhecemos. Ao escolher um caminho, pense sempre nas tecnologias que agregam valor aos processos e pessoas. Arrisco dizer que elas serão fontes de competências essenciais, ou seja, o DNA dos novos empreendimentos.

 

Sob meu ponto de vista, uma boa oportunidade é a área de serviço, que  sofre menos com a forte automação. Se o jovem empreendedor, por exemplo, criar um modelo de negócio com ênfase em serviço e tecnologia, acredito muito que a chance de sucesso passa a ser maior. A prova disso é o surgimento de aplicativos com pouquíssima mão de obra e jovens start ups voando alto no mercado, uma enorme janela de oportunidades para se destacar em um período de mudanças e transformações no mercado.

 

laurobarillari@gmail.com

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Lauro Barillari

Mestre em Economia com especializações em Logística, Finanças, Matemática e Gestão Industrial, pela COPPE/UFRJ. Consultor em Logística. Atua como professor de Planejamento na Fundação Oswaldo Cruz (desde 2004) e de pós-graduação no Centro Universitário Abeu, nos departamentos de Administração e Logística, coordenando grupo de pesquisa sobre estoques na Baixada Fluminense.

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