Estudo mostra transformações no "Mercado de Trabalho" da Baixada Fluminense

Thursday, December 31, 2015

O mestre em Economia Lauro Barillari aponta soluções para retomada da competitividade.

 

O resultado dos efeitos da crise atingiu a ponta da cadeia, representada pelos setores de comércio e serviços, que interpretam cerca de 80% do total de pessoas empregadas, contra 20% na indústria – aponta o mestre em Economia do Centro Universitário Uniabeu, Lauro Barillari. Ele ressalta ainda que as causas para a queda na oferta de emprego são conjunturais e estruturais.

“Nas causas conjunturais, o mercado de trabalho é atualmente afetado por três principais elementos: aumento da demanda por trabalho (egressos das universidades e cursos profissionalizantes), queda do emprego no país; e queda do salário real do trabalhador”, explica.

Embora a ampliação do acesso ao ensino superior, provando que a democratização à educação em todos os níveis, seja um ganho social sem precedentes, paradoxalmente, o estudo apresenta o lado perverso em razão da falta de planejamento econômico. “Na medida em que este ano 900 mil novas vagas foram criadas pelos programas FIES, PROUNE e SISU; e, por outro lado, não houve investimento proporcional na criação de novos postos de trabalho, tanto na indústria, quanto no comércio e serviços, muitos novos ingressantes no mercado e a redução dos postos de trabalho, na contramão, tiveram como consequência o desequilíbrio entre a demanda e oferta de emprego”, analisa Barillari.

No mês de novembro, o Brasil fechou 130.629 vagas formais de emprego, segundo informou o Ministério do Trabalho e Previdência Social, o pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1992. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) são fruto de 1.179.079 admissões e 1.309.708 demissões.

Com o estado do Rio a trajetória não é diferente. De acordo com o estudo apresentado pelo professor de Economia da Uniabeu, houve redução de 14% das vagas abertas no estado em 2015. O quadro, ao longo do ano, piorou com o aumento do dólar, preço da energia, petróleo e a queda do consumo. Novo consumidor “A Baixada Fluminense, que possui municípios importantes para o país, como Duque de Caxias, por exemplo, foi afetada principalmente nos setores de comércio e serviços, que possuem um grande número de pessoas ocupadas e muito sensíveis a queda no consumo” afirma o professor.

O estudo vai além do momento agora. Para Barillari, a questão que surge no atual cenário é: qual o futuro do mercado e o mercado do futuro? “É importante buscar novas formas de fazer negócios, novos vínculos de trabalho, ao invés de se prender ao antigo conceito do emprego, da carteira assinada”. A proposta, de acordo com a análise do professor, é que o trabalho adquire uma nova dimensão, quando, no futuro, 90% das pessoas, nos países desenvolvidos, estarão trabalhando online. “O trabalho e o estudo passam a ser mais do que nunca indissociáveis. Estudar tecnologia para entender o novo consumidor, nativo digital, e seus padrões de comportamento, ou mesmo a sua ausência de padrão, ganha ainda mais força”, avalia.

Outro ponto em destaque no levantamento é a atenção com as redes de relacionamento. Segundo o autor, quem está ingressando no mercado de trabalho deve estar atento à capacidade de fazer conexões tanto pessoais, quanto profissionais. Pesquisas mostram que 50% dos trabalhos surgem através de redes de relacionamento. Com a mudança no conceito de emprego, o empreendedorismo configura-se como uma alternativa, principalmente, com ênfase em novos conceitos de negócio. “O desenvolvimento de aplicativos é um bom exemplo de que novos modelos e ideias estão emergindo, e os antigos estão com os dias contados”, acredita Barillari. O autor do estudo afirma que é fundamental explorar janelas abertas de oportunidades e se reinventar. “A busca por qualificação e profissionalização, com ênfase em soluções inovadoras, é a única saída para enfrentarmos mudanças e ajudarmos as empresas a ganharem competitividade no mercado, vencendo a atual crise”, finaliza.

 

 

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Lauro Barillari

Mestre em Economia com especializações em Logística, Finanças, Matemática e Gestão Industrial, pela COPPE/UFRJ. Consultor em Logística. Atua como professor de Planejamento na Fundação Oswaldo Cruz (desde 2004) e de pós-graduação no Centro Universitário Abeu, nos departamentos de Administração e Logística, coordenando grupo de pesquisa sobre estoques na Baixada Fluminense.

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